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Cabo Verde tem taxa de prevalência baixa, mas prevenção deve continuar
 A taxa de prevalência da infecção por VIH em Cabo Verde situou-se, em 2004, nos 0,44 por cento, mas o Ministério da Saúde pretende intensificar as campanhas de luta contra a sida, apostando na prevenção e em novos estudos populacionais e epidemiológicos.

O primeiro caso de sida detectado em Cabo Verde remonta a 1986. Desde então, e até 31 de Dezembro de 2004, foram notificadas 1489 infecções por VIH, das quais 800 pessoas (53,7 por cento) contraíram sida e 426 (53,3 por cento) morreram com a doença. Assim, 1063 pessoas vivem com o VIH actualmente no arquipélago. Com sintomas clínicos de sida registaram-se 374 pacientes, até finais de 2004.

No ano passado, surgiram 260 novos casos de infecção por VIH, com a faixa etária dos 25-49 anos a registar o maior número de notificações.

Já a prevalência ficou-se pelos 0,44 por cento. Uma taxa “baixa”, refere a directora do Programa de Luta contra a Sida (PLS) do Ministério da Saúde, Jaqueline Pereira, mas que tem vindo a aumentar de forma estável, “nunca ultrapassando os dois por cento”. Desde 1985, os indicadores percentuais de prevalência variaram entre os 0,22 por cento e 1,5 por cento. Comparativamente, o Zimbabwe, uma das nações africanas mais atingidas pela epidemia, tem uma taxa de prevalência (indicador que mede o número de pessoas vivas infectadas, acumulando casos novos e antigos) que ronda os 25 por cento.

“Embora o número de pacientes com VIH seja baixo, qualquer um de nós pode estar infectado, portanto não podemos descurar as medidas de prevenção”, avisou Jaqueline Pereira. “Se conseguimos ter uma taxa baixa foi graças à atenção que foi dada à doença logo no início. Foi criada uma equipa multisectorial, com representantes do Ministério da Saúde, da Educação e de ONG’s. Os meios de prevenção e os testes foram disponibilizados. Foram feitas campanhas de sensibilização. A transfusão de sangue foi controlada, com critérios usados em todo o mundo”, acrescentou a responsável.

Apesar do “engajamento” alcançado no combate à doença, ainda é necessária uma avaliação mais precisa do panorama da sida em Cabo Verde. No arquipélago é utilizado um sistema de vigilância sentinela do VIH nas mulheres grávidas, que funciona como amostra representativa da população em geral. “Os postos sentinela fazem testes às mulheres grávidas, analisando amostras de sangue que são recolhidas para outros fins. Não pedimos o consentimento às gestantes, nem elas sabem que o teste será feito. A população gestante sendo sexualmente activa é representativa da população em geral. É um processo que tem de ser feito para bem do interesse colectivo. Em termos de ética e de legislação, é uma situação salvaguardada, que se usa em todo o mundo”, explicou a responsável do PLS.

Embora os dados dos postos sentinela forneçam uma ideia fidedigna da situação da sida em Cabo Verde, o Ministério da Saúde está a ultimar, “por precaução” - diz Jaqueline Pereira -, um estudo de seroprevalência na população em geral: o II Inquérito Demográfico e de Saúde Reprodutiva. No final de 2005, deverão ser apresentados os primeiros dados provisórios deste estudo, validando ou não as tendências indicadas pela vigilância às mulheres grávidas.

Até lá, vários estudos parcelares - que envolvem também a componente sócio-comportamental - estão em andamento: é o caso de um trabalho com toxicodependentes e profissionais de sexo que arrancou este mês, e de um outro que avalia a situação dos reclusos das cadeias do país. As crianças de rua e as forças militares e policiais também serão alvo de um estudo de vigilância.

Um seguimento epidemiológico mais abrangente poderá revelar um aumento da prevalência. Na opinião da representante do PLS, “existem factores de risco comportamentais próprios de Cabo Verde, como a frequência de mudança de parceiros e a não-utilização de preservativos em relações ocasionais”, que indicam que a aposta na prevenção continua a ser a principal arma contra a sida.

“É importante que cada um tome conta de si próprio. O lema [da luta contra a sida] para este ano é ‘Cumpra a sua Promessa’, ou seja, cumpra a promessa que tem consigo mesmo de reduzir os riscos de exposição ao VIH. Se temos uma vida sexualmente activa, vamos usar preservativo, para além de reduzir o número de parceiros e ser fiel. Os meios de prevenção estão ao alcance de todos nós”, afirmou a representante do PLS.

Para que mensagens como esta continuem a chegar aos cabo-verdianos, a Comissão de Coordenação do Combate à Sida (CCS-Sida), instituição sob tutela do Ministério da Saúde, pretende que o próximo plano estratégico de combate à doença para o período 2006-2010 melhore a articulação entre os organismos de saúde e a Sociedade Civil.

“É fundamental que a sociedade civil intervenha na prevenção primária e secundária da sida. Não podemos esquecer que esta doença não se encerra nos seus problemas bio-médicos, mas comporta também factores psico-sociais que devem ser trabalhados por diferentes parceiros, descentralizando o combate à doença”, concluiu Artur Correia, do secretariado-executivo do CCS-Sida.
 
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